Num mundo sem coração

Abril 24, 2019
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Começámos por tomar consciência que, primeiro que tudo, temos, da parte de Deus, a iniciativa em nos dar o seu amor, em comunicar connosco, em falar de muitos modos. Mesmo quando estamos distraídos, quando a nossa fragilidade e o nosso pecado parece que nos afastam d’Ele, sabemos, pela fé, que Deus vem ao nosso coração e nos dá aquilo que mais precisamos em cada momento.

Tal como o nosso coração vive inquieto e necessitado, enquanto não repousar em Deus, assim também o mundo em que vivemos. De facto, assistimos diariamente a tantas situações em que notamos que o projeto de Deus para a sua criação está longe de ser uma realidade. A fome, as guerras, a injustiça, a exploração dos mais pobres pelos mais poderosos, a economia que destrói as pessoas e própria natureza. Tudo isto deve tocar o nosso coração e fazer-nos sensíveis aos sofrimentos dos irmãos, em especial aqueles que são vítimas. O Papa Francisco, em Lampedusa, falou da “globalização da indiferença”, isto é, viver como se estas realidades não nos tocassem. Teremos que adquirir uma outra sensibilidade, que não nos deixe ficar fechados no nosso conforto, mas nos leve, através da oração e da ação a sermos instrumentos da proximidade de Deus em todas estas situações. Devemos pedir continuamente a Deus que nos faça exigentes connosco próprios, que não nos deixemos ficar parados quando, ao nosso lado, alguém está a sofrer.

António Valério, sj
Diretor da Rede Mundial de Oração do Papa – Portugal

 

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