Cultivar a amizade social

Julho 9, 2021
Sem comentários

Para o mês de julho, pede-nos o Papa que rezemos pela amizade social. Nem por acaso, faz agora nove meses que Francisco publicou a muito falada Fratelli tutti. É como se o Papa nos convidasse a avaliar os frutos desta encíclica nas nossas comunidades. O diálogo é, sem dúvida, um dos frutos mais desejados. Por diálogo, Francisco entende atitudes muito precisas: “esforçar-se por entender”, “procurar pontos de contato”.

Quando acolho o outro na minha vida, sou capaz de me alegrar com o que ele tem para me dar? Diante da sua diferença, posso ser tentado a protestar com violência a fim de lhe impor a minha vontade ou a minha maneira de ver. A convivência pacífica nunca terá lugar sempre que se tolerar a presença do outro apenas quando ele abdicar da sua diferença em relação a mim. É fácil deixar-se dominar, nesse caso, pela agressividade dos nacionalismos fechados e das ideologias tribais que hoje tanto nos ameaçam. Cuido do coração para acolher o outro com alegria?

Apesar de não manifestar a mesma violência, a “indiferença egoísta” também impede a comunhão com o próximo. Sob o véu de uma falsa tolerância, facilmente acaba num relativismo perverso que nos deixa indiferentes ao que os outros digam ou façam. Assim insensíveis, distanciamo-nos uns dos outros. Ora, encontrar-se com uma pessoa é muito mais do que a tolerar simplesmente. Enquanto a tolerarmos com indiferença ou desdém, por mais ações solidárias que façamos, a fraternidade não terá lugar neste mundo. Dou-me conta que a fraternidade só acontece quando sentirmos amizade uns pelos outros? Sinto “estima” por todos independentemente da sua etnia ou religião? Sinto-os filhos de um mesmo Deus a coabitarem o mundo comigo?

P. Andreas Lind, SJ (Colaborador da Rede Mundial de Oração do Papa – Portugal)

VikiCultivar a amizade social

Deixe uma resposta